⚽ Até a Copa do Mundo tem um Agente de IA

A FIFA distribuiu, de graça, um agente de IA da Lenovo para cada uma das 48 seleções desta Copa. A ideia é que Curaçao, com orçamento de ilha caribenha, agora tenha acesso ao mesmo tipo de análise que a Inglaterra.

Para dar dimensão do que está em jogo: a FIFA registra cerca de 150 milhões de pontos de dados por partida, e só os sensores dentro da bola capturam 500 movimentos por segundo, permitindo acompanhar com precisão sua trajetória, velocidade e movimentação.

Esse volume de informação mostra como o futebol moderno virou um campo fértil para AI. Os dados e IA já estão sendo usados em várias frentes do jogo:

  • Pênaltis, em horas em vez de dias. A Inglaterra — que já foi eliminada em disputa de pênalti vezes demais pra contar — usa IA para analisar todos os batedores do adversário. O que levava cinco dias de trabalho manual agora sai em cinco horas, segundo o chefe de análise de performance da federação inglesa.

  • Estudo de adversários: 300 horas viram um clique. Marcelo Bielsa, hoje técnico do Uruguai, contou que, quando treinava o Leeds, sua comissão gastava cerca de 300 horas dissecando um único adversário. "A gente faz isso automaticamente", diz o chief scientist da Stats Perform.

  • Escolher o próprio técnico com dados. Algumas federações usam ferramentas que varrem o elenco disponível e apontam qual treinador tem o perfil tático que melhor se encaixa naqueles jogadores. A IA não escala só o time — escala quem comanda o time.

  • Montar o elenco pensando no chaveamento. Dá pra desenhar a convocação já mirando os adversários específicos da fase de grupos.

  • Perguntar à partida como quem pergunta ao Google. O analista assiste a pontinhos vermelhos e azuis perseguindo uma bola amarela na tela e simplesmente pergunta: "quantas vezes essa jogada virou finalização?" Cada resposta abre uma nova camada.

  • Mapeamento de jogadores elegíveis: Curaçao usou dados para identificar atletas da diáspora, mapear origem familiar, planejar viagens de scouting e organizar testes. Dos 26 jogadores da seleção, apenas um nasceu em Curaçao; a maioria nasceu na Holanda.

  • Agente de IA para as seleções: preocupada com a desigualdade de acesso a essas tecnologias, a FIFA criou um agente próprio, chamado Football AI Pro, e disponibilizou para todas as seleções da Copa. A ferramenta funciona como uma interface no estilo ChatGPT: técnicos e analistas podem fazer perguntas sobre o próximo adversário e acessar informações detalhadas. As partidas também são recriadas em 3D, permitindo analisar lances por ângulos que antes eram praticamente impossíveis. Tudo pode ser quantificado: onde os jogadores passam, para onde correm, como atacam, como defendem, que chutes tentam e que gols marcam.

A lógica por trás de tudo isso é simples: no futebol, existem combinações demais para uma pessoa analisar sozinha. São 22 jogadores se movimentando, tomando decisões, reagindo ao adversário e mudando o jogo a cada segundo. Por isso, a IA entra como uma forma de encontrar padrões em meio ao caos.

Para seleções menores, esse tipo de tecnologia pode reduzir a distância em relação aos países mais ricos. Mas isso não resolve tudo. Ferramentas de IA, dados e equipes técnicas custam caro. E, mesmo quando há muita informação disponível, surge outro problema: como transformar tudo isso em algo realmente útil para técnicos e jogadores? Um treinador não precisa de um relatório de 47 páginas sobre o lateral adversário. Ele precisa de poucos insights claros, práticos e acionáveis.

A IA pode ajudar seleções menores a competir melhor, como no caso de Curaçao. Mas também pode ampliar a distância para os países que já têm mais dinheiro, mais estrutura e mais gente qualificada para usar essas ferramentas.

Porque, no fim, a IA não ganha jogo sozinha. Assim como nas empresas, ela só vira vantagem quando muda o processo, melhora a decisão e chega de forma simples para quem precisa agir.

No passado, o diferencial era conseguir coletar informação. Hoje, todo mundo consegue. O novo gargalo é filtrar, interpretar e entregar o insight certo, para a pessoa certa, no momento certo.

No futebol, isso significa dar ao treinador uma leitura simples que ajude a preparar o time. No marketing, significa transformar dados de consumidor em decisão de campanha. Em vendas, transformar histórico e contexto em próxima melhor ação. Em gestão, transformar ruído em prioridade.

Por fim: a IA mostra o padrão, mas o gol que decide uma Copa é muitas vezes o que nenhum modelo previu. O componente humano e de surpresa ainda é gigante. Ainda bem. Um futebol que uma IA resolvesse não valeria os 90 minutos. O dado prepara o jogo; o imprevisível é que faz a gente assistir.

🔋 A IA já tem cérebro. Agora precisa de energia, mãos e matéria-prima

Nos últimos anos, a corrida da IA aconteceu quase toda dentro das telas: modelos mais espertos, agentes executando tarefas, trabalho intelectual automatizado. Mas o NFX (fundo de Venture Capital) cravou uma provocação: a próxima fase da IA vai ser bem menos digital do que parece.

A tese é simples: Revolução Industrial = energia + inteligência + ação coordenada. A IA resolveu o item do meio — sabe escrever, programar e decidir. Os outros dois ficaram para trás. Inteligência abundante não serve de nada se não tem eletricidade para rodar nem mãos para agir. Ela planeja o prédio, mas não levanta a parede.

A primeira Revolução Industrial não aconteceu por causa de uma única invenção. A máquina a vapor forneceu energia abundante, novas máquinas transformaram essa energia em produtividade e o modelo das fábricas reorganizou milhares de pessoas em torno de um sistema capaz de operar em escala.

O primeiro gargalo é a energia

Data centers estão consumindo uma parcela crescente da capacidade elétrica disponível. Segundo os números reunidos pelo NFX, o Departamento de Energia dos Estados Unidos estima que o país precisará adicionar cerca de 100 gigawatts à rede até 2030. Grande parte dessa demanda virá justamente da infraestrutura de IA.

Não à toa, Microsoft, Amazon, Meta e Google já correm para garantir contratos de energia nuclear, investir em fontes alternativas e assegurar eletricidade para seus data centers antes dos concorrentes.

Isso abre três frentes de oportunidade:

  • Agora: usar software e IA para aproveitar melhor a rede elétrica existente.

  • Nos próximos anos: combinar hardware e software em baterias, geração solar modular e redes distribuídas.

  • No longo prazo: ampliar a oferta com pequenos reatores nucleares, energia geotérmica e, eventualmente, fusão nuclear.

A mudança de perspectiva é importante. A infraestrutura elétrica, antes vista como uma indústria distante do universo das startups, começa a se tornar parte central da corrida da IA.

O segundo gargalo são as mãos

No ambiente digital, agentes de IA já conseguem pesquisar, redigir documentos, comprar produtos e movimentar informações. Mas boa parte da economia continua dependendo de trabalho físico: agricultura, logística, indústria, construção e transporte. É aí que entram a robótica e a chamada IA física.

Uma das oportunidades está nas ferramentas que permitem treinar essas máquinas. Modelos de linguagem aprenderam com bilhões de textos disponíveis na internet, mas não existe um banco equivalente com bilhões de movimentos físicos. Por isso, empresas estão usando vídeos de pessoas trabalhando, dados sintéticos e gêmeos digitais — fábricas e ambientes virtuais onde robôs podem treinar milhões de vezes sem quebrar nada nem colocar ninguém em risco.

Outra aposta está nos robôs especializados. Em vez de tentar criar um humanoide capaz de fazer tudo, startups podem dominar tarefas específicas e valiosas: retirar ervas daninhas de uma plantação, organizar mercadorias em um armazém ou movimentar cargas em um centro logístico. Os primeiros vencedores talvez pareçam pequenos e nichados. Mas cada nicho pode representar uma indústria bilionária.

Debaixo de tudo isso, estão os materiais

Data centers, redes elétricas, baterias e robôs não são feitos apenas de software. Eles exigem aço, cobre, minerais, fibra de carbono, semicondutores e novos materiais capazes de transportar energia com mais eficiência.

Por isso, a nova onda tecnológica também pode revitalizar setores considerados antigos. Mineração, siderurgia e manufatura avançada passam a ser tratadas como problemas de tecnologia: com automação, integração vertical, software e ciclos de desenvolvimento mais rápidos.

O movimento já começou. A Microsoft, por exemplo, assinou acordos para usar aço de menor emissão na construção de data centers. Outras empresas tentam desenvolver novos processos de mineração ou descobrir materiais supercondutores com a ajuda da própria IA.

É uma relação circular: a indústria fornece a infraestrutura necessária para a IA crescer, enquanto a IA ajuda a reinventar a indústria que a sustenta.

A grande provocação do texto é: talvez os maiores negócios da era da AI não tenham a aparência de empresas de IA. Podem parecer companhias de energia, robótica, aço ou materiais industriais.

No fim, inteligência abundante só muda o padrão de vida quando consegue sair da tela. A próxima revolução começa quando a IA deixa de apenas pensar e passa, de fato, a alimentar, mover e reconstruir o mundo.

👨‍💼 E se cada pessoa visse um site diferente?

O próximo grande passo da web pode não ser um site mais bonito, mais rápido ou mais interativo. Pode ser um site que se monta sozinho para cada visitante. Esse é o conceito que a Adobe está explorando com os chamados agentic sites: sites que entendem a intenção de quem está navegando e, em tempo real, montam uma página personalizada para aquela pessoa.

Não é mais aquela personalização tradicional do tipo “quem comprou isso também comprou aquilo”. A ideia aqui é mais radical: o conteúdo, os produtos, os textos e até a estrutura da página podem mudar de acordo com o que o usuário quer fazer naquele momento. Segundo Carlos Sanchez, da Adobe, isso já é tecnicamente possível hoje. A visão da empresa é criar uma experiência para uma “audiência de uma pessoa”. Ou seja: não pensar mais em segmentos como “jovens adultos”, “mães”, “compradores recorrentes” ou “pessoas interessadas em tecnologia”. Pensar em uma experiência criada para uma pessoa específica, naquele contexto específico.

Como funciona na prática

Um dos exemplos apresentados foi o de um site de máquinas de café. Se o visitante demonstrasse interesse em camping, o site poderia reorganizar a página para destacar máquinas, textos e produtos relacionados a fazer café ao ar livre. O mesmo site, portanto, deixaria de ser uma vitrine fixa e passaria a funcionar quase como uma conversa visual. Pense numa loja física em que as prateleiras se reorganizam sozinhas no segundo em que você entra pela porta, adivinhando o que você veio buscar. Sanchez estima o custo disso em 1 a 2 centavos de dólar por página, com geração em 1 a 2 segundos. E isso só vai ficar mais barato.

A diferença importante é que a IA não estaria inventando tudo do zero. Ela usaria o conteúdo já existente da empresa como base. O modelo buscaria nos materiais aprovados pela marca e montaria uma página sob medida, reduzindo o risco de alucinação e mantendo controle sobre a experiência.

O que muda

Isso muda bastante a lógica de marketing digital. Hoje, boa parte dos sites ainda funciona como um mapa fixo: home, categoria, produto, blog, checkout. O usuário precisa navegar por esse caminho até encontrar o que quer. Num site agentic, a lógica se inverte. O usuário expressa uma intenção, direta ou indiretamente, e o site se reorganiza ao redor dela.

Para e-commerce, o caso de uso é óbvio: aumentar conversão. Mas a ideia pode ir além do varejo. Qualquer negócio com muitos produtos, públicos, jornadas ou mensagens pode se beneficiar desse tipo de experiência. Bancos, montadoras, educação, turismo, seguros, B2B. Quanto maior a complexidade da oferta, maior o valor de simplificar a jornada para cada pessoa.

Mas existe um ponto central: com IA, ficou mais fácil construir coisas. O difícil agora é saber o que vale a pena construir. O próprio Sanchez reconhece isso. Adobe ainda está experimentando o conceito com clientes e buscando empresas dispostas a testar. Porque o desafio não é apenas técnico, é estratégico.

As empresas estão tentando entender, ao mesmo tempo, várias mudanças: chatbots, agentes pessoais, interfaces generativas, conteúdo estruturado para IA, compras feitas por assistentes e formas de trazer usuários de volta de plataformas como ChatGPT, Perplexity ou Google AI Mode. No fundo, todo mundo está tentando responder à mesma pergunta: qual é o papel do site quando o usuário não precisa mais necessariamente visitar um site?

A resposta talvez seja que o site não desapareça, mas mude de função. Ele deixa de ser uma coleção fixa de páginas e vira uma espécie de sistema vivo de conteúdo, produtos e interações. Um lugar que pode atender tanto humanos quanto agentes de IA. Porque, em muitos casos, não será mais a pessoa que chegará ao site, será o agente dela.

Para compras simples, como recomprar papel higiênico ou remarcar um serviço, talvez o agente resolva tudo sozinho. Para uma compra mais emocional ou visual, como uma jaqueta, um carro ou uma viagem, a pessoa ainda vai querer ver, comparar e decidir. Isso significa que o futuro da web provavelmente não será só humano ou agente. Será uma mistura dos dois.

Esse é um dos temas mais importantes para marketing nos próximos anos. Por muito tempo, as empresas otimizaram sites para cliques, SEO, conversão e jornada. Agora, talvez precisem otimizar para intenção. E isso mexe com CRO, conteúdo, CRM, mídia, SEO, dados, UX e arquitetura dos sites.

Antes de sonhar com páginas que se remontam sozinhas, vale a pena fazer duas perguntas:

  1. Você tem conteúdo bom o suficiente pra alimentar isso? — o sistema não inventa nada, só reorganiza o que já existe no seu site. Página personalizada em cima de conteúdo raso continua sendo conteúdo raso.

  2. O segundo é dado sobre o cliente, e é aí que entra o CRM: de nada adianta uma AI genial montando a página perfeita se o seu CRM está cheio de contato duplicado, campo vazio e histórico pela metade. Página personalizada em cima de dado ruim é personalização pra um fantasma — só que mais rápido.

⚡ Quick Hits

  • Tom e Jerry viram live-action 4K. As ferramentas de geração de vídeo já convertem qualquer animação 2D em versão realista com facilidade. 😺

  • No domingo tem Brasil x Noruega na Copa! A guerra vai começar… ⚔️

  • Um robô doméstico de US$ 8 mil. A Weave lançou o Isaac 1, que promete dobrar roupa e arrumar a casa. A letra miúda: quando ele empaca, um teleoperador assume os braços remotamente. 🤖

  • O Codex virou o jornaleiro particular dele. Um usuário do X usa o agente da OpenAI pra imprimir toda manhã um resumo sob medida: recados, compromissos, previsão do surf e notícias — tudo no papel, pra começar o dia sem encarar a tela. 📰

  • O Fable 5 está disponível de volta! E as pessoas já estão construindo aplicações bem legais! Um usuário pediu "um app bonito pra explorar a vida marinha" e diz que o modelo montou tudo em uma hora, criando os clipes com o Seedance (o modelo de vídeo da ByteDance) e sincronizando as transições. 🌊

🔧 Cool AI tools

  • Odessia: um agente de viagens de IA que planeja o roteiro, garimpa o melhor preço entre os sites de reserva e otimiza suas milhas — tudo numa conversa. ✈️

Por hoje é só.

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